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Live destaca mobilização popular por soberania, terra e vida das mulheres no 32º Grito dos Excluídos e Excluídas

2 de set.
3 min de leitura

Convocando mobilização nacional live ecumênica e inter-religiosa marcou a abertura da Semana da Pátria com foco na ocupação das ruas e redes sociais


A coordenação do Grito dos Excluídos e Excluídas abriu oficialmente a jornada de mobilização de sua 32ª edição com uma transmissão virtual no primeiro dia da Semana da Pátria.


Conduzido pelo articulador do movimento, Frei Zeca, o encontro reuniu lideranças ecumênicas, de matriz africana e das pastorais sociais sob o tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!” e o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”.O objetivo para além da roda de conversa foi também convocar as comunidades, movimentos, territórios para fortalecer o grito popular e  ocuparem as ruas e as redes  sociais em torno das pautas  históricas da população vulnerabilizada.


A roda de conversa deu visibilidade às leituras de conjuntura de três vozes representativas: a Ialorixá Adriana t’Ọmọlú, o padre Edinho Thomassim e a pastora Romi Márcia Bencke.



Território tradicional, memória e combate ao racismo religioso


A abertura  foi com à Ialorixá Adriana t’Ọmọlú, matriarca do terreiro Ilé Àṣẹ Ọmọlú àti Òṣún, professora, coordenadora do FONSANPOTMA e integrante da Marcha Global das Mulheres Negras. Saudando inicialmente Exu como orixá da comunicação, dos caminhos e da justiça, Mãe Adriana destacou a dimensão existencial que a terra assume para os povos de terreiro:


“Para nós, o território é corpo vivo, memória, ancestralidade, espiritualidade, alimento e cuidado. Defender os territórios tradicionais de matriz africana é garantir a continuidade da comunidade, da cultura e da vida, conforme reconhecimento”.


A liderança também qualificou o alimento como tecnologia de continuidade, salvaguardado pelo matriarcado e pelas mulheres negras, e denunciou com veemência os ataques contínuos às casas de culto:


“Denuncio o racismo religioso e a violência territorial que ameaçam nossos modos de vida, espiritualidade, ancestralidade e patrimônio. Reivindico dignidade, soberania, proteção legal e a aprovação do PL 896, porque somos pessoas, não números, e temos direito à vida”.


Unidade e persistência nas trincheiras


Na sequência, o padre Edinho Thomassim, assessor da Comissão para Ação Sociotransformadora(Cepast-CNBB), presidente da Trilha Cidadã e assessor da Pastoral da Juventude, ressaltou a importância do respeito à diversidade e da perseverança política dos movimentos sociais no contexto da convocação popular:


“Na diversidade, no respeito, na pluralidade. E venho com a alegria somar para a gente viver essa convocação para esse grito. E tem que ser uma bonita gritaria, com a beleza e com a garra de todas as potências dos povos, dos movimentos, das articulações, das pastorais, de todos aqueles que se somam nas trincheiras da luta por um mundo melhor.”


O sacerdote reforçou o caráter inegociável da permanência das bases populares mobilizadas:


“A gente não vai parar de gritar enquanto esse mundo não estiver plenamente bom. Por isso, a luta não para jamais”.


“Se a gente quiser futuro, precisamos ter mulheres vivas”


Fechando as falas da transmissão, a pastora Romi Márcia Bencke, do Fórum Ecumênico ACT Brasil e da Plataforma dos Movimentos Sociais por Outro Sistema Político, articulou o lema da mobilização ao cenário institucional e eleitoral que se desenha no país. A pastora sintetizou a premência da pauta de gênero com uma declaração contundente:


“Se a gente quiser futuro, precisamos ter mulheres vivas.”


Ao posicionar o 7 de Setembro como instrumento de formação política, Romi apontou a encruzilhada de outubro de 2026 frente à estrutura de poder vigente:


“Considero as eleições de 2026 decisivas para escolher entre um projeto subordinado ao imperialismo e outro comprometido com a soberania nacional. O Grito dos Excluídos deve mobilizar as ruas e as comunidades para discutir essa escolha e a concentração de poder no sistema político brasileiro.”


Em arremate, a pastora cobrou um enfrentamento direto aos núcleos de privilégio:


“Precisamos problematizar o poder das elites econômicas, responsáveis pelas exclusões e violências, e usar o voto de outubro para decidir se seus privilégios continuarão sufocando a maioria da população brasileira.”


Com isso, o 32º Grito dos Excluídos e Excluídas traça um roteiro que articula a defesa da vida das mulheres, a salvaguarda dos territórios sagrados e o voto consciente como pilares essenciais para disputar os rumos da soberania nacional.


Assista ao vídeo de partilhas e fala potentes que ajuda a sociedade pensar sobre o nosso futuro e a luta em defesa da vida e da natureza.



Sobre o Grito dos Excluídos e das Excluídas


Surgido no âmbito da Segunda Semana Social Brasileira, promovida pela CNBB, o Grito dos Excluídos/as realiza-se anualmente no dia 7 de setembro desde 1995. O movimento reúne dezenas de organizações sociais, sindicatos, igrejas, pastorais e movimentos populares em atos por todo o país, denunciando as desigualdades e propondo caminhos para a construção de um país mais justo, soberano e fraterno.


Por Claudia Pereira - Cepast-CNBB

 
 
 

2 comentários


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