Excluídos e invisíveis


Imagem: Ian Maenfeld/ @ianmaenfeld



A pandemia do Covid-19 acaba de escancarar um quadro preocupante. Milhões de pessoas

no Brasil, além de excluídos, são invisíveis. Embora números e dados apontassem

vagamente para esse cenário subterrâneo e periférico, ele parecia longe de nossos olhos. E

portanto, longe do coração. Agora, com a novela dos R$ 600 para os setores da população

em condições mais precárias, emergem os que no dia-a-dia, em lugar de morar, se

escondem. O chamado “auxílio emergencial” escancarou essa realidade, ao mesmo tempo

oculta, mas sob o nariz de todos. Nos porões e grotões da sociedade multidões de cidadãos

não vive, apenas sobrevive. Ou melhor, vive a pulso.


Cidadãos? Esse é o problema! Do ponto de vista dos serviços públicos, e em particular da

saúde, formam uma espécie de “cidadãos de segunda categoria”. Excluídos ou incluídos

“perversamente”, como preferem alguns estudiosos. Seu CPF, carteira de identidade e título

de eleitor (quando existem) trazem o estigma perverso do “sem”. Sem terra, sem teto, sem

trabalho, sem documentos, sem nome, sem rosto, sem endereço fixo, sem perspectiva de

futuro!... Denominados em termos negativos pelo que não são ou não têm. O mais grave é

que, em termos de quantidade eles se contam às dezenas de milhões e, em termos de

qualidade, são aqueles que o Papa Francisco tem denunciado como “descartáveis”!

A pandemia, apesar de seu rastro espectral de doentes e mortos, trouxe à tona essa imensa