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De que eu tenho fome... de que eu tenho sede...



A Campanha da Fraternidade deste ano de 2023 traz-nos como reflexão o tema da fome com o lema “Dai-lhes vós mesmo de comer!”, tirado do capítulo catorze do evangelho da comunidade de Mateus.


O Grito dos Excluídos e Excluídas de 2023 reafirmando a vida em primeiro lugar, na sua vigésima nona edição, coloca-nos uma questão vital: “Você tem fome e sede de que? ”


Falando de fome, eu diria que tenho fome de uma democracia verdadeira, em que realmente o poder de decisão esteja nas mãos do povo, dos pequenos, dos periféricos, daqueles e daquelas que são considerados escórias do nosso mundo egocêntrico, neoliberal, dos jovens, dos pobres, dos pretos que habitam os subterrâneos das masmorras que constituem nossas periferias urbanas e existenciais, autênticos campos de extermínio e máquinas que moem corpos e matam vidas inocentes.


Falando de fome eu diria que minha fome sonha com uma economia ao serviço da vida, a de Francisco e Clara, onde se respeitam e valorizam as culturas e os saberes. Onde todos e todas têm direito a terra, teto e trabalho, e onde o egoísmo se transforma em ecocentrismo, fortalecendo a ecologia integral e o cuidado com a Pacha Mama, Mãe Terra, casa comum de todos os seres que povoam o universo.


Tenho também sede, sede de justiça capaz de reconhecer a plena cidadania dos povos nativos, de respeitar suas terras, rios, mananciais, culturas, saberes, credos, e suas cosmovisões. Tenho sede de rios e lençóis aquíferos sem poluição, de nossos biomas em sua integridade e do respeito de sua biodiversidade. Tenho sede de uma sociedade e convívio onde a diversidade, a pluriculturalidade, plurietnicidade, são valores e riquezas, e onde o diferente dá plenitude ao nosso ser e existir.


Tenho fome e sede de relações fraternas e solidárias, onde não tem espaço para armamento, militarismo, medo, suspeita, violência do estado, milícias, encarceramento em massa e onde se constrói junto e com responsabilidade o bem viver, a terra sem males, o mundo sem cárceres, a civilização do amor e como afirma Francisco: FRATELLI TUTTI, o convite a um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço; nele declara feliz quem ama o outro, «o seu irmão e irmã, tanto quando está longe, como quando está junto de si». Fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas independentemente da sua proximidade física, do ponto da terra onde cada uma nasceu ou habita. Enfim a minha sede e fome e de outro mundo fraterno e amigo, um mundo possível porque sonhado e buscado juntos.



Gianfranco Graziola, Missionário da Consolata, Assessor Teológico da Pastoral Carcerária Nacional

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