32º Grito leva para às ruas a defesa da soberania democrática
- Flaviana Serafim
- há 2 dias
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Manifestação popular, que ocorre em todo o país no 7 de setembro, debate a conjuntura geopolítica global e a pressão imperialista contra a população mais empobrecida
Por Claudia Pereira - Comunicação Cepast-CNBB e Grito dos Excluídos/as
Neste ano, a defesa da soberania democrática e o enfrentamento ao imperialismo é um dos eixos de debate do 32º Grito dos Excluídos e Excluídas. Diante do acirramento das tensões globais e do avanço de pautas neofascistas, o movimento denuncia o aumento das interferências externas no Brasil e na América Latina.
Em sua 32ª edição, o Grito faz um chamado urgente à sociedade brasileira. Sob o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!” e mantendo seu tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!”, a mobilização popular, que tradicionalmente ocupa as ruas de todo o Brasil no dia 7 de setembro, articula este ano as pautas históricas dos movimentos sociais com os debates da Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o complexo cenário político, econômico e geopolítico nacional e internacional.

O que está em jogo na defesa da soberania democrática?
Para o 32º Grito dos Excluídos e Excluídas, falar em soberania é defender a capacidade de o povo brasileiro decidir autonomamente o seu próprio destino, livre de coações ou tutelas externas. O movimento sintetizou o debate em quatro pilares fundamentais:
Estabilidade democrática e autonomia do Sul Global: A necessidade de manter os países em desenvolvimento livres da ingerência de grandes potências, garantindo sua autodeterminação política e econômica.
Ameaça geopolítica: A denúncia sobre pressões em acordos comerciais e o uso do isolamento diplomático como forma de submeter nações às vontades de blocos dominantes.
Interferência institucional: O combate a estratégias que buscam semear dúvidas sobre a integridade das urnas e das instituições públicas nacionais, além de pretextos internacionais para monitorar mecanismos financeiros soberanos do Brasil (como o Pix) sob o argumento do combate ao crime organizado.
Ressuscitação histórica de contendas: A instrumentalização de conflitos do passado para criar divisões diplomáticas e fragilizar a integração dos povos latino-americanos.
Disputa de riquezas e o papel do Brasil na geopolítica global
A conjuntura internacional e suas repercussões diretas no Brasil são destacadas pela coordenação do movimento. Segundo Daiane Hohn, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e integrante da coordenação nacional do Grito, o peso estratégico do país o transforma em um alvo prioritário de disputas internacionais.
"O imperialismo entrou com força no cenário regional para conter o declínio de sua hegemonia. O Brasil tem um peso imenso na geopolítica e na economia, abrigando a maior reserva de terras raras do mundo depois da China, além de abundantes recursos de água doce e petróleo", explica Daiane Hohn. Para a dirigente, o momento exige delimitar a defesa firme dos interesses da nação frente à espoliação internacional de seus bens naturais.
O movimento pontua ainda que episódios recentes de intervenção e sanções econômicas na América Latina, como o bloqueio a Cuba e as pressões sobre a Venezuela, assim como disputas de hegemonia entre potências mundiais, evidenciam os riscos reais à paz e à estabilidade da região.
Mobilização de base e o combate à abstenção eleitoral
Diante do cenário político e eleitoral, a orientação do Grito dos Excluídos/as para os sindicatos, movimentos populares e organismos de igreja é o fortalecimento do trabalho de base nas periferias e no campo. A estratégia prevê a criação de Brigadas de Agitação e Propaganda para dialogar diretamente com a população nas ruas, promover encontros e seminários, e desarmar narrativas de desinformação.
Além disso, o movimento assume como prioridade o combate à abstenção eleitoral e a defesa das liberdades democráticas, propondo ir além da formalidade institucional para garantir que a democracia entregue melhorias concretas na vida diária do povo.
"Nossa tarefa é apontar os culpados pelas desigualdades por meio de debates e encontros, construindo um projeto onde o povo de fato decida os rumos do país", afirma Hohn. "Precisamos reconstruir a confiança e apontar soluções juntos para que a esperança seja nossa outra vez. Pátria livre, venceremos!"
SOBRE O GRITO DOS EXCLUÍDOS E DAS EXCLUÍDAS
Surgido no âmbito da Segunda Semana Social Brasileira, promovida pela CNBB, o Grito dos Excluídos/as realiza-se anualmente no dia 7 de setembro desde 1995. O movimento reúne dezenas de organizações sociais, sindicatos, igrejas, pastorais e movimentos populares em atos por todo o país, denunciando as desigualdades e propondo caminhos para a construção de um país mais justo, soberano e fraterno.
INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA
Assessoria de Imprensa do Grito dos Excluídos e Excluídas:
Karina Pereira da Silva: (11) 99372-3919
Ana Valim: (11) 99600-9938E-mail: gritonacional@gmail.com






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