32º Grito dos Excluídos e Excluídas denuncia a violência no campo brasileiro e o trabalho escravo
- Flaviana Serafim
- há 1 hora
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Com 75% dos registros de conflitos rurais concentrados na disputa territorial, lema de 2026 reafirma a defesa da Terra, da Paz, da Moradia e da Soberania Popular contra a omissão do Estado Por Claudia Pereira - Comunicação Cepast-CNBB e Grito dos Excluídos/as
Os conflitos por terra permanecem no centro da disputa social e política no Brasil, representando 75% de todas as ocorrências rurais registradas no país em 2025. Esse diagnóstico está exposto no relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Os dados conectam com as pautas do 32º Grito dos Excluídos e Excluídas (2026). Sob o tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!” e o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, a mobilização popular conecta a luta pelo acesso à terra, combate ao trabalho escravo e à violência institucional.
Apesar de o relatório apontar uma redução de 28% no total geral de ocorrências em 2025 (1.593 registros contra 2.207 em 2024), os números da violência contra a posse e a ocupação da terra atingiram a marca de 1.186 casos. O estado do Maranhão lidera o ranking nacional de violência pela terra, com 190 registros, seguido por Pará (142), Rondônia (111) e Bahia (101). O levantamento chama a atenção para o crescimento contínuo de violações causadas por omissão e conivência do Estado (224 casos) e pela violação das condições de existência das comunidades (117 casos).
Paralelamente, a letalidade no campo atingiu patamares gravíssimos: os assassinatos dobraram em 2025, passando de 13 para 26 mortes. A Região Norte concentrou 61% dos assassinatos, e cerca de 77% das execuções foram atribuídas à ação de fazendeiros, atuando como mandantes ou executores.

Luta e resistência no chão da Terra
É preciso reforçar que não se pode apenas olhar ou ouvir esses números alarmantes: é preciso ter sensibilidade e compreender que foram vidas ceifadas e violentadas. Diante deste contexto e da morosidade histórica do Estado em avançar com a Reforma Agrária e garantir a segurança de lideranças ameaçadas, os movimentos populares mantiveram a resistência ativa.
Em 2025, foram registradas 100 ações diretas de resistência por terra, entre ocupações, acampamentos e retomadas territoriais, com protagonismo destacado das famílias Sem Terra (72 ocupações e 9 acampamentos) e de povos indígenas e tradicionais, que se contrapuseram a megaempreendimentos de infraestrutura, mineração e ao avanço do agronegócio.
Conexão com o trabalho escravo e disputa pela água
A negação do acesso à terra alimenta diretamente o ciclo do trabalho análogo à escravidão no campo e nas cidades. Em 2025, 1.991 trabalhadores foram resgatados do trabalho escravo rural em 159 casos (alta de 23% no número de pessoas libertadas), com destaque para setores como construção de usinas, lavouras, cana-de-açúcar, mineração e pecuária. No ambiente urbano, o resgate de trabalhadores saltou 60%, atingindo 1.007 pessoas libertadas.
A disputa territorial reflete-se também nos conflitos pela água (148 ocorrências em 2025). A apropriação privada dos recursos hídricos, a contaminação por agrotóxicos e rejeitos minerários e a destruição de mananciais atingem praticamente todos os estados do país, vitimando principalmente pescadores artesanais, ribeirinhos, indígenas e quilombolas.
Mobilização nacional e eco feminino
Para a coordenação do Grito dos Excluídos e Excluídas, a denúncia desses dados é fundamental para romper o silêncio e dar visibilidade à luta popular. O lema deste ano traz ainda a urgência do combate ao feminicídio, que vitimou mais de 1.500 mulheres em 2025, ressaltando a vulnerabilidade acrescida sobre as mulheres camponesas, indígenas e moradoras das periferias urbanas.
Como ocorre desde 1995, a grande mobilização do Grito será realizada no dia 7 de setembro em todo o país, propondo uma cidadania ativa e a construção de um projeto soberano e popular em contraposição ao patriotismo passivo oficial.
INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA
Assessoria de Imprensa do Grito dos Excluídos e Excluídas:
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Ana Valim: (11) 99600-9938E-mail: gritonacional@gmail.com







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