top of page

32º Grito dos Excluídos e Excluídas alerta para crise habitacional e destaca o protagonismo feminino na luta por moradia digna

Com avanço do aluguel, queda de casas quitadas e pressão da especulação imobiliária, país soma quase 6 milhões de famílias no déficit habitacional; desigualdade de gênero e raça centraliza debate no setor

Por Claudia Pereira - Comunicação Cepast-CNBB e Grito dos Excluídos/as

Reafirmando o tema “Vida em Primeiro Lugar!”, a 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas ecoa o grito sobre a  crise habitacional brasileira e o perfil de quem mais sofre com a falta de teto no país. Sob o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, os movimentos sociais denunciam o aumento do custo de vida, a disparada dos imóveis alugados e a financeirização do solo urbano, apontando que a garantia de uma moradia digna é condição indispensável para a soberania e a sobrevivência das mulheres.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e de entidades do setor revelam uma mudança significativa no perfil de ocupação das cidades brasileiras, marcada pelo encarecimento do custo de vida e pela financeirização do solo urbano. 

Atualmente, o Brasil registra 5,97 milhões de domicílios em déficit habitacional e outros 27,6 milhões em situação de inadequação (como infraestrutura precária, adensamento excessivo e insegurança fundiária), segundo a Fundação João Pinheiro. No centro desse cenário estão as famílias chefiadas por mulheres, que representam 62,6% do déficit habitacional no país. 


Mulheres de ocupações mobilizadas por direito à moradia em protesto na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Foto: Gorete Gama/Jubileu Sul Brasil
Mulheres de ocupações mobilizadas por direito à moradia em protesto na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Foto: Gorete Gama/Jubileu Sul Brasil


A luta das mulheres pela casa própria 

Segundo dados do IBGE, as mães solos constituem 55% das mães brasileiras, sendo a maioria composta por mulheres negras. Um levantamento da ONG Habitat para a Humanidade Brasil destaca o peso do custo de vida para esse grupo: em média, 32% do orçamento vai para o aluguel, 26% para alimentação, 11% para mobilidade e 30% por filho. 

A desigualdade  se torna  ainda mais severa ao cruzar o fator racial. A Habitat para a Humanidade Brasil aponta que uma mulher negra pode levar até sete gerações, o equivalente a 184 anos, para conseguir comprar a casa própria no país. A estimativa considera um cenário em que a mulher mantenha renda estável e consiga poupar cerca de R$ 31,62 mensais após arcar estritamente com despesas básicas (sem gastos com lazer, emergências ou períodos de desemprego) para adquirir um imóvel de valor médio em uma favela (R$ 69.828,57). 

Ao alcançar a marca de mais de 79 milhões de domicílios, o Brasil vive uma transição no perfil de moradia. De acordo com a PNAD Contínua do IBGE, o percentual de domicílios alugados subiu de 18,4% (12,3 milhões) em 2016 para 23,8% (18,9 milhões) em 2025 — uma alta de 54,1% no número de imóveis locados. 

Financeirização, especulação e alternativas populares

A relação entre o direito à moradia e a especulação imobiliária foi debate central no painel sobre Habitação e Organização Popular, conduzido durante a programação do Grito dos Excluídos. Evanisa Rodrigues, militante da União Nacional por Moradia Popular (UNMP) e da Pastoral da Moradia, alerta para o fenômeno da financeirização e para os impactos da transformação de imóveis em ativos financeiros de grandes incorporadoras listadas na Bolsa de Valores. 

"A moradia é a porta de entrada para todos os demais direitos. Vivemos hoje em um país com uma dinâmica de financeirização muito mais intensa e com maior violência no trato do espaço urbano", ressaltou Evanisa durante intervenção a partir do canteiro de obras de um mutirão habitacional na Zona Leste de São Paulo. 

A análise também reforça como processos de gentrificação, avanço de plataformas de aluguel por temporada e expulsão da população de baixa renda para periferias desprovidas de infraestrutura agravam a crise. Dados apresentados indicam que 74% das famílias em situação de déficit habitacional possuem renda inferior a dois salários mínimos, ficando fora do mercado imobiliário formal. 

Frente a esses desafios, que incluem ainda a emergência climática em áreas de risco e disputas por orçamentos públicos, os movimentos sociais destacam saídas baseadas na organização popular. Entre as alternativas citadas estão a produção por autogestão (como o Minha Casa, Minha Vida Entidades e cooperativas), ações da Campanha Despejo Zero e a implementação de instrumentos como o Termo Territorial Coletivo (TTC). 

Nas frentes do campo e da cidade, a resistência ganha voz no protagonismo feminino e comunitário. Líderes como Zeca, do Movimento Sem Terra (MST), ressaltam o papel das mulheres no enfrentamento direto na luta pela terra e moradia. Já em Belém (PA), a liderança comunitária Francisco aponta como intervenções urbanas de grande porte têm desconsiderado a participação das periferias locais, como no bairro Terra Firme, local escolhido para as manifestações do Grito dos Excluídos. 


INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

Assessoria de Imprensa do Grito dos Excluídos e Excluídas:

Karina Pereira da Silva: (11) 99372-3919

Ana Valim: (11) 99600-9938E-mail: gritonacional@gmail.com 


 
 
 

Comentários


bottom of page