Live destaca mobilização popular por soberania, terra e vida das mulheres no 32º Grito dos Excluídos e Excluídas
Convocando mobilização nacional live ecumênica e inter-religiosa marcou a abertura da Semana da Pátria com foco na ocupação das ruas e redes sociais A coordenação do Grito dos Excluídos e Excluídas abriu oficialmente a jornada de mobilização de sua 32ª edição com uma transmissão virtual no primeiro dia da Semana da Pátria. Conduzido pelo articulador do movimento, Frei Zeca, o encontro reuniu lideranças ecumênicas, de matriz africana e das pastorais sociais sob o tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!” e o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”.O objetivo para além da roda de conversa foi também convocar as comunidades, movimentos, territórios para fortalecer o grito popular e ocuparem as ruas e as redes sociais em torno das pautas históricas da população vulnerabilizada. A roda de conversa deu visibilidade às leituras de conjuntura de três vozes representativas: a Ialorixá Adriana t’Ọmọlú, o padre Edinho Thomassim e a pastora Romi Márcia Bencke. Território tradicional, memória e combate ao racismo religioso A abertura foi com à Ialorixá Adriana t’Ọmọlú, matriarca do terreiro Ilé Àṣẹ Ọmọlú àti Òṣún, professora, coordenadora do FONSANPOTMA e integrante da Marcha Global das Mulheres Negras. Saudando inicialmente Exu como orixá da comunicação, dos caminhos e da justiça, Mãe Adriana destacou a dimensão existencial que a terra assume para os povos de terreiro: “Para nós, o território é corpo vivo, memória, ancestralidade, espiritualidade, alimento e cuidado. Defender os territórios tradicionais de matriz africana é garantir a continuidade da comunidade, da cultura e da vida, conforme reconhecimento”. A liderança também qualificou o alimento como tecnologia de continuidade, salvaguardado pelo matriarcado e pelas mulheres negras, e denunciou com veemência os ataques contínuos às casas de culto: “Denuncio o racismo religioso e a violência territorial que ameaçam nossos modos de vida, espiritualidade, ancestralidade e patrimônio. Reivindico dignidade, soberania, proteção legal e a aprovação do PL 896, porque somos pessoas, não números, e temos direito à vida”. Unidade e persistência nas trincheiras Na sequência, o padre Edinho Thomassim, assessor da Comissão para Ação Sociotransformadora(Cepast-CNBB), presidente da Trilha Cidadã e assessor da Pastoral da Juventude, ressaltou a importância do respeito à diversidade e da perseverança política dos movimentos sociais no contexto da convocação popular: “Na diversidade, no respeito, na pluralidade. E venho com a alegria somar para a gente viver essa convocação para esse grito. E tem que ser uma bonita gritaria, com a beleza e com a garra de todas as potências dos povos, dos movimentos, das articulações, das pastorais, de todos aqueles que se somam nas trincheiras da luta por um mundo melhor.” O sacerdote reforçou o caráter inegociável da permanência das bases populares mobilizadas: “A gente não vai parar de gritar enquanto esse mundo não estiver plenamente bom. Por isso, a luta não para jamais”. “Se a gente quiser futuro, precisamos ter mulheres vivas” Fechando as falas da transmissão, a pastora Romi Márcia Bencke, do Fórum Ecumênico ACT Brasil e da Plataforma dos Movimentos Sociais por Outro Sistema Político, articulou o lema da mobilização ao cenário institucional e eleitoral que se desenha no país. A pastora sintetizou a premência da pauta de gênero com uma declaração contundente: “Se a gente quiser futuro, precisamos ter mulheres vivas.” Ao posicionar o 7 de Setembro como instrumento de formação política, Romi apontou a encruzilhada de outubro de 2026 frente à estrutura de poder vigente: “Considero as eleições de 2026 decisivas para escolher entre um projeto subordinado ao imperialismo e outro comprometido com a soberania nacional. O Grito dos Excluídos deve mobilizar as ruas e as comunidades para discutir essa escolha e a concentração de poder no sistema político brasileiro.” Em arremate, a pastora cobrou um enfrentamento direto aos núcleos de privilégio: “Precisamos problematizar o poder das elites econômicas, responsáveis pelas exclusões e violências, e usar o voto de outubro para decidir se seus privilégios continuarão sufocando a maioria da população brasileira.” Com isso, o 32º Grito dos Excluídos e Excluídas traça um roteiro que articula a defesa da vida das mulheres, a salvaguarda dos territórios sagrados e o voto consciente como pilares essenciais para disputar os rumos da soberania nacional. Assista ao vídeo de partilhas e fala potentes que ajuda a sociedade pensar sobre o nosso futuro e a luta em defesa da vida e da natureza. Sobre o Grito dos Excluídos e das Excluídas Surgido no âmbito da Segunda Semana Social Brasileira, promovida pela CNBB, o Grito dos Excluídos/as realiza-se anualmente no dia 7 de setembro desde 1995. O movimento reúne dezenas de organizações sociais, sindicatos, igrejas, pastorais e movimentos populares em atos por todo o país, denunciando as desigualdades e propondo caminhos para a construção de um país mais justo, soberano e fraterno. Por Claudia Pereira - Cepast-CNBB




