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Dia D no Ceará com roda de conversa

Dia D no Ceará com roda de conversa

No próximo sábado, 07/05/22, faremos uma Roda de Conversa Remota com Articuladores/as para apresentar o tema do 28°Grito/2022 "Vida em Primeiro Lugar" e o lema desse ano - "Brasil: 200 anos de (IN)DEPENDÊCIA. Para quem?" E pensarmos estratégias conjuntas de como construirmos o Grito nos quatro cantos de nosso Ceará. A reunião será das 9hs:00min às 12hs00min.

Agrotóxico: licença para matar

Agrotóxico: licença para matar

A cada dois dias, uma pessoa morre por intoxicação de agrotóxicos no Brasil – cerca de 20% dessas vítimas são crianças e adolescentes de até 19 anos. O dado consta num relatório publicado em 28/04 pela rede ambientalista Friends of the Earth Europe. (https://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2022/04/28/177325-intoxicacao-por-agrotoxicos-mata-um-brasileiro-a-cada-2-dias.html?utm_source=ambientebrasil&utm_medium=jornal_diario) Relatório afirma que empresas agroquímicas europeias já gastaram cerca de 2 milhões de euros em apoio ao lobby do agronegócio no Brasil. Aliança deu frutos: uso de agrotóxicos no país se multiplicou por seis em 20 anos. A pesquisa da entidade europeia, que reúne uma série de organizações, mapeia a aliança entre empresas agroquímicas europeias – como Bayer e Basf – e o lobby do agronegócio brasileiro. Segundo o texto, os esforços conjuntos desses dois atores para promover o livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) “causaram danos significativos à saúde das pessoas e ao meio ambiente no Brasil”. “Corporações europeias como Bayer e Basf, que são os principais fabricantes europeus de pesticidas, têm promovido o acordo comercial UE-Mercosul por meio de grupos de lobby. Seu lobby tem procurado aumentar o acesso ao mercado de alguns de seus agrotóxicos mais nocivos ao unir forças com associações do agronegócio brasileiro. Ao fazer isso, eles apoiam uma agenda legislativa que visa minar os direitos dos indígenas, remover salvaguardas ambientais e legitimar o desmatamento”, diz a Friends of the Earth Europe no documento. Segundo o relatório, grupos que representam a Bayer, a Basf e a Syngenta já gastaram cerca de 2 milhões de euros para apoiar o lobby do agronegócio no Brasil. E esse lobby financiado por empresas europeias deu frutos: o uso de agrotóxicos em território brasileiro se multiplicou por seis nos últimos 20 anos, afirma o relatório. Somente em 2021, foram aprovados 499 novos pesticidas no país, um número recorde. Além disso, a Bayer e a Basf tiveram, juntas, 45 novos agrotóxicos aprovados no Brasil durante o governo de Jair Bolsonaro, sendo que 19 deles contêm substâncias proibidas na UE. “Como se bastasse manchar os pratos europeus com glifosato, a Bayer vem operando uma ofensiva agressiva de lobby no Brasil para promover pesticidas que são mortais demais para a União Europeia”, afirma Audrey Changoe, especialista em comércio da Friends of the Earth Europe e uma das autoras do estudo, ao lado da brasileira Larissa Bombardi, professora da USP e especialista em agrotóxicos no Brasil. “Licença para envenenar” O relatório assinado pelas duas especialistas afirma que grandes corporações europeias fabricantes de agrotóxicos se beneficiam das “regulações ambientais fracas do Brasil” e, além disso, também trabalham com o agronegócio brasileiro para moldar como essas leis são escritas. Segundo o texto, a agenda do agronegócio se reflete no Congresso brasileiro por meio da bancada ruralista, “notória por pressionar para enfraquecer a legislação ambiental e de pesticidas e desmantelar órgãos governamentais responsáveis pela proteção do meio ambiente”. “As empresas da UE estão apoiando esse bloco e, por sua vez, facilitando sua agenda”, diz o relatório. “Nossas descobertas são alarmantes: uma legislação ainda mais fraca no Brasil dará à Bayer uma licença para envenenar a natureza e as comunidades rurais que já sofrem com a agricultura intensiva de pesticidas”, completa Changoe. O documento lembra que a bancada ruralista é aliada próxima do governo Bolsonaro e endossou sua candidatura em 2018. A organização também acusa o atual governo de criminalizar a sociedade civil e os movimentos sociais que lutam contra o uso de agrotóxicos – o que faz aumentar ainda mais o poder político de grandes corporações europeias. Acordo UE-Mercosul O relatório se posiciona de forma contrária à ratificação do acordo comercial UE-Mercosul – fechado após duas décadas de negociações –, que aumentaria as exportações de produtos agrícolas para a Europa e as importações de agroquímicos para os países do Mercosul – especialmente para o Brasil, que é o maior exportador mundial de soja. “Embora o acordo traga oportunidades para as empresas agroquímicas que operam na UE, incluindo a Bayer e a Basf, também corre o risco de exacerbar os danos devastadores causados à natureza e às comunidades locais, incluindo os povos indígenas, cujo modo de vida e os direitos à terra são atacados pelo agronegócio brasileiro”, diz o texto. Segundo o relatório, o acordo vem num momento em que “os sinais da perda dramática da biodiversidade global relacionada ao uso de pesticidas se tornam cada vez mais evidentes”. A organização ressalta que, se o pacto comercial for ratificado, as tarifas sobre agroquímicas serão reduzidas em até 90%, levando a um provável aumento da exportação de pesticidas perigosos da UE aos países do Mercosul, incluindo alguns proibidos na Europa devido ao risco que representam à saúde humana e ao meio ambiente. Segundo o texto, o acordo também deve impulsionar as exportações de produtos como soja, cana-de-açúcar e etanol derivado da cana, que dependem fortemente de agrotóxicos, bem como de carne bovina e aviária, que dependem da soja como ração animal, aumentando ainda mais o uso de pesticidas. “Esses produtos agrícolas também estão ligados ao desmatamento e à destruição da biodiversidade, bem como à violação dos direitos indígenas”, reitera o relatório. A Friends of the Earth Europe afirma, assim, que o comércio promovido pelo pacto está “fundamentalmente em desacordo” com outras metas ambientais do bloco europeu, e pede que os Estados-membros da UE rejeitem o acordo com o Mercosul, “se afastem de promover o modelo de monocultura com uso intensivo de pesticidas” e “apoiem abordagens de agricultura mais sustentáveis, amigas da natureza e centradas em pessoas”. O relatório pede ainda que a União Europeia introduza uma proibição imediata das importações de itens com resíduos de produtos químicos que já são proibidos na própria UE. “A União Europeia tem a responsabilidade de parar o comércio tóxico UE-Mercosul agora”, conclui Audrey Changoe, uma das autoras do relatório. Fonte: Deutsche Welle

BS/SP, (IN)Segurança alimentar: fama pro agro, fome pro povo!

BS/SP, (IN)Segurança alimentar: fama pro agro, fome pro povo!

Este é o tema da transmissão que o Grito das Excluídas e Excluídos da Baixada Santista/SP fará, ao vivo, às 19h30, no Dia D, em 06/05, nas redes do Grito e entidades parceiras. Shirley Krenak, mulher krenak enraizada, indígena da aldeia Atorãn, de Minas Gerais e Joice Lopes, pedagoga, agricultora, Presidente da Cooperativa dos Produtores Campesino e Membra da Direção Estadual do setor de Produção do MST de São Paulo serão as debatedoras desta pauta tão cara à população brasileira, especialmente agora, em que o país está novamente no Mapa da Fome. Acompanhem, nesta sexta, 06 de maio, às 19h30, nas redes sociais do Grito e redes parceiras: https://www.youtube.com/watch?v=w1Nd9H6uhWg https://www.facebook.com/284591203844990/posts/303075385329905

Dia D no Alto Tietê: direitos trabalhistas

Dia D no Alto Tietê: direitos trabalhistas

Em continuidade à construção do Grito dos Excluídos e das Excluídas 2022, o Alto Tiête/SP realiza o Dia D, neste sábado, 7 de maio. Para debater o tema "O retrocesso dos direitos trabalhistas", estão convidados, Eidy Cabeza, advogada especialista em Direitos Constitucional, membra do MATI, e Adriano Diogo, geólogo e mebro da Comissão da Verdade de São Paulo. O encontro será na Casa do Hip Hop, em Mogi das Cruzes/SP, a partir das 9h30.

CNBB: carta ao povo brasileiro

CNBB: carta ao povo brasileiro

A 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprovou a Mensagem ao Povo Brasileiro. O texto apresenta “uma mensagem de fé, esperança e corajoso compromisso com a vida e o Brasil”. Os bispos lembraram da solidariedade para a superação da pandemia, agradeceram às famílias e agentes educativos pelo cuidado no campo da educação e dedicaram reflexões sobre a realidade do país, cujo quadro atual “é gravíssimo”. Para os bispos, “o Brasil não vai bem!”. Diante da complexa e sistêmica crise ética, econômica, social e política, a CNBB espera que os governantes “promovam grandes e urgentes mudanças, em harmonia com os poderes da República, atendo-se aos princípios e aos valores da Constituição de 1988”. A mensagem também aborda o processo eleitoral deste ano, envolto “de incertezas e radicalismos, mas, potencialmente carregado de esperança”. Também chama atenção para as ameaças ao pleito, além de reforçar um apelo pela democracia brasileira. “Conclamamos toda a sociedade brasileira a participar das eleições e a votar com consciência e responsabilidade, escolhendo projetos representados por candidatos e candidatas comprometidos com a defesa integral da vida, defendendo-a em todas as suas etapas, desde a concepção até a morte natural. Que também não negligenciem os direitos humanos e sociais, e nossa casa comum onde a vida se desenvolve” Ao final do texto, os bispos convidam a todos, particularmente a juventude, “a deixarem-se guiar pela esperança e pelo desejo de uma sociedade justa e fraterna”. Confira o texto na íntegra: P – Nº. 0099/22 MENSAGEM AO POVO BRASILEIRO 59ª. Assembleia Geral da CNBB “A esperança não decepciona” (Rm 5,5). Guiados pelo Espírito Santo e impulsionados pela Ressurreição do Senhor, unidos ao Papa Francisco, nós, bispos católicos, em comunhão e unidade, reunidos para a primeira etapa da 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, de modo on-line e com a representação de diversos organismos eclesiais, dirigimos ao povo brasileiro uma mensagem de fé, esperança e corajoso compromisso com a vida e o Brasil. Enche o nosso coração de alegria perceber a explosão de solidariedade, que tem marcado todo o País na luta pela superação do flagelo sanitário e social da COVID-19. A partilha de alimentos, bens e espaços, a assistência a pessoas solitárias e a dedicação incansável dos profissionais de saúde são apenas alguns exemplos de incontáveis ações solidárias. Gestores de saúde e agentes públicos, diante de um cenário de medo e insegurança, foram incansáveis e resilientes. O Sistema Único de Saúde-SUS mostrou sua fundamental importância e eficácia para a proteção social dos brasileiros. A consciência lúcida da necessidade dos cuidados sanitários e da vacinação em massa venceu a negação de soluções apresentadas pela ciência. Contudo, não nos esquecemos da morte de mais de 660.000 pessoas e nos solidarizamos com as famílias que perderam seus entes queridos, trazendo ambas em nossas preces. Agradecemos ainda, de modo particular às famílias e outros agentes educativos, que não se descuidaram da educação das crianças, adolescentes, jovens e adultos, apesar de todas as dificuldades. Com certeza, a pandemia teria consequências ainda mais devastadoras, se não fosse a atuação das famílias, educadores e pessoas de boa vontade, espírito solidário e abnegado. A Campanha da Fraternidade 2022 nos interpela a continuar a luta pela educação integral, inclusiva e de qualidade. A grave crise sanitária encontrou o nosso País envolto numa complexa e sistêmica crise ética, econômica, social e política, que já nos desafiava bem antes da pandemia, escancarando a desigualdade estrutural enraizada na sociedade brasileira. A COVID-19, antes de ser responsável, acentuou todas essas crises, potencializando-as, especialmente na vida dos mais pobres e marginalizados. O quadro atual é gravíssimo. O Brasil não vai bem! A fome e a insegurança alimentar são um escândalo para o País, segundo maior exportador de alimentos no mundo, já castigado pela alta taxa de desemprego e informalidade. Assistimos estarrecidos, mas não inertes, os criminosos descuidos com a Terra, nossa casa comum. Num sistema voraz de “exploração e degradação” notam-se a dilapidação dos ecossistemas, o desrespeito com os direitos dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, a perseguição e criminalização de líderes socioambientais, a precarização das ações de combate aos crimes contra o meio ambiente e projetos parlamentares desastrosos contra a casa comum. Tudo isso desemboca numa violência latente, explícita e crescente em nossa sociedade. A crueldade das guerras, que assistimos pelos meios de comunicação, pode nos deixar anestesiados e desapercebidos do clima de tensão e violência em que vivemos no campo e nas cidades. A liberação e o avanço da mineração em terras indígenas e em outros territórios, a flexibilização da posse e do porte de armas, a legalização do jogo de azar, o feminicídio e a repulsa aos pobres, não contribuem para a civilização do amor e ferem a fraternidade universal. Diante deste cenário esperamos que os governantes promovam grandes e urgentes mudanças, em harmonia com os poderes da República, atendo-se aos princípios e aos valores da Constituição de 1988, já tão desfigurada por meio de Projetos de Emendas Constitucionais. Não se permita a perda de direitos dos trabalhadores e dos pobres, grande maioria da população brasileira. A lógica do confronto que ameaça o estado democrático de direito e suas instituições, transforma adversários em inimigos, desmonta conquistas e direitos consolidados, fomenta o ódio nas redes sociais, deteriora o tecido social e desvia o foco dos desafios fundamentais a serem enfrentados. Nesse contexto, iremos este ano às urnas. O cenário é de incertezas e radicalismos, mas, potencialmente carregado de esperança. Nossas escolhas para o Executivo e o Legislativo determinarão o projeto de nação que desejamos. Urge o exercício da cidadania, com consciente participação política, capaz de promover a “boa política”, como nos diz o Papa Francisco. Necessitamos de uma política salutar, que não se submeta à economia, mas seja capaz de reformar as instituições, coordená-las e dotá-las de bons procedimentos, como as conquistas da Lei da Ficha Limpa, Lei Complementar 135 de 2010, que afasta do pleito eleitoral candidatos condenados em decisões colegiadas, e da Lei 9.840 de 1999, que criminaliza a compra de votos. Não existe alternativa no campo democrático fora da política com a ativa participação no processo eleitoral. Tentativas de ruptura da ordem institucional, hoje propagadas abertamente, buscam colocar em xeque a lisura do processo eleitoral e a conquista irrevogável do voto. Tumultuar o processo político, fomentar o caos e estimular ações autoritárias não são, em definitivo, projeto de interesse do povo brasileiro. Reiteramos nosso apoio às Instituições da República, particularmente aos servidores públicos, que se dedicam em garantir a transparência e a integridade das eleições. Duas ameaças merecem atenção especial. A primeira é a manipulação religiosa, protagonizada tanto por alguns políticos como por alguns religiosos, que coloca em prática um projeto de poder sem afinidade com os valores do Evangelho de Jesus Cristo. A autonomia e independência do poder civil em relação ao religioso são valores adquiridos e reconhecidos pela Igreja e fazem parte do patrimônio da civilização ocidental. A segunda é a disseminação das fake news, que através da mentira e do ódio, falseia a realidade. Carregando em si o perigoso potencial de manipular consciências, elas modificam a vontade popular, afrontam a democracia e viabilizam, fraudulentamente, projetos orquestrados de poder. É fundamental um compromisso autêntico com a verdade e o respeito aos resultados nas eleições. A democracia brasileira, ainda em construção, não pode ser colocada em risco. Conclamamos toda a sociedade brasileira a participar das eleições e a votar com consciência e responsabilidade, escolhendo projetos representados por candidatos e candidatas comprometidos com a defesa integral da vida, defendendo-a em todas as suas etapas, desde a concepção até a morte natural. Que também não negligenciem os direitos humanos e sociais, e nossa casa comum onde a vida se desenvolve. Todos os cristãos somos chamados a preocuparmo-nos com a construção de um mundo melhor, por meio do diálogo e da cultura do encontro, na luta pela justiça e pela paz. Agradecemos os muitos gestos de solidariedade de nossas comunidades, por ocasião da pandemia e dos desastres ambientais. Encorajamos as organizações e os movimentos sociais a continuarem se unindo em mutirão pela vida, especialmente por terra, teto e trabalho. Convidamos a todos, irmãos e irmãs, particularmente a juventude, a deixarem-se guiar pela esperança e pelo desejo de uma sociedade justa e fraterna. Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, obtenha de Deus as bênçãos para todos nós. Brasília – DF, 29 de abril de 2022. Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre, RS
1º Vice-Presidente Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima, RR
2º Vice-Presidente Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
Secretário-Geral

2021: aumentam corte de recursos e sucateamento dos serviços públicos

2021: aumentam corte de recursos e sucateamento dos serviços públicos

Os governos vêm destruindo os serviços públicos, cortando recursos, sucateando o que resta e escondendo ao máximo as informações sobre isso. Para fazer de conta que está fazendo alguma coisa, aumentou sem precedentes as emendas parlamentares. Elas não sustentam os serviços públicos, mas ajudam parlamentares a sustentar suas bases e seus cabos eleitorais para se reelegerem. Mesmo parlamentares que criticam a prática antidemocrática das emendas estão se rendendo porque são pressionados pelas suas bases desesperadas que podem passar a apoiar os adversários que fazem isso sem crítica ou vergonha. Segundo o estudo “A Conta do Desmonte – Balanço Geral do Orçamento da União”, do Inesc, em 2021, o pior ano da pandemia, os recursos para enfrentar a Covid-19 caíram 79% em relação a 2020. A saúde perdeu R$ 10 bilhões em termos reais entre 2019 e 2021 quando subtraídas as verbas destinadas ao Sars-CoV-2; a habitação de interesse social não gastou qualquer recurso entre 2020 e 2021; a área de assistência para crianças e adolescentes perdeu R$ 149 milhões entre 2019 e 2021, esse valor equivale a 39% do que foi gasto em 2021; a educação infantil viu seu orçamento diminuir mais de quatro vezes em apenas três anos. Leia o estudo completo, se quiser, e multiplique o debate, em: https://www.inesc.org.br/acontadodesmonte/?cn-reloaded=1

Dom Mário: carta em defesa do Yanomami

Dom Mário: carta em defesa do Yanomami

Dom Mário Antônio da Silva, administrador diocesano de Roraima, nomeado Arcebispo de Cuiabá, durante a missa do seu envio, realizada no último dia 23/04, denunciou a omissão e a responsabilidade do Governo Federal "que ao invés de cumprir seu papel constitucional na defesa dos povos indígenas e de suas terras, patrimônio da União, incentiva as invasões e coloca na pauta do Congresso Nacional o projeto de lei, que legaliza a mineração em terras indígenas." Uma ameaça declarada à existência dos povos indígenas Yanomami. A profética Carta Aberta de Dom Mário convida cristãos para se unirem na defesa e garantia da vida e do território do povo Yanomami, estabelecidos na Constituição Federal, e conclama para que todos se unam na luta pela proteção dos povos indígenas, na promoção da justiça e para que não compactuem com o projeto que autoriza a mineração nas terras indígenas. Dom Mário convidou ainda todos a assumirem o compromisso de defesa e do cuidado da Casa Comum, "pois já sentimos os efeitos devastadores do garimpo, com o envenenamento de nossos rios", assegurou. CONFIRA A CARTA NA ÍNTEGRA: Carta ao Povo de Deus e aos Homens e Mulheres de Boa Vontade. Boa Vista, 23 de abril, 2022 “Eu vim para que todos tenham vida”, disse Jesus (Jo 10, 10). Irmãos e irmãs, Com os primeiros contatos que os missionários da Igreja Católica em Roraima tiveram com os povos indígenas a defesa da vida, de suas culturas e de suas terras entrou no caminho da Evangelização. Desde os monges beneditinos e os missionários e missionárias da Consolata, a causa da vida dos povos indígenas foi assumida como anúncio da dignidade humana e, por vezes, com denúncia daquilo que negava o Evangelho e os direitos humanos. Seguindo Jesus Cristo continuamos a afirmar a vida em abundância para todos. “Passar de condições menos humanas para condições mais humanas” é Evangelizar, nos lembrava São Paulo VI. Na década 1950 os missionários da Consolata vão ao encontro do povo Yanomami que por sua abertura, os acolhem e passam a morar com eles, em 1965 fundam a Missão Catrimani, tão conhecida entre nós. Na década de 1970 os Yanomami começam a sofrer a invasão de seu território com a construção da perimetral norte. Nasce no coração dos missionários, organizações e tantos amigos e amigas o compromisso na luta pelo reconhecimento de suas terras. Era o caminho para a garantia da vida e da cultura Yanomami, como um bem para a humanidade. Entre 1980-1990 o território Yanomami era invadido por aproximadamente 40 mil garimpeiros durante a primeira corrida do ouro em Roraima. Quem de nós não conheceu a aflição desse povo que chegou à beira de um genocídio? Tantas campanhas como: o “SOS Yanomami” e “Yanomami Urgente” e outras mais, que ultrapassaram as fronteiras tornando os Yanomami conhecidos pelo mundo afora e gerando uma rede de solidariedade e de luta para que a terra e a vida desse povo fossem protegidas. Não é possível esquecer o massacre de Haximu, caracterizado como o primeiro genocídio pela Justiça brasileira, em que vários indígenas foram dizimados num confronto cruel e desigual. Nasce no Brasil e no exterior uma ampla campanha em favor da demarcação da Terra Indígena Yanomami, homologada em 1992, exatamente há 30 anos. Nos últimos 3 anos, o dragão devorador da mineração tomou força novamente e avança com toda ferocidade e poder das organizações criminosas sobre a Terra Yanomami. Quem de nós não têm acompanhado as impactantes notícias das agressões armadas às aldeias, as várias mortes causadas pelo garimpo, tais como a draga que sugou as duas crianças no rio Parima, em outubro do ano passado, e a violação de meninas e mulheres que são aliciadas em troca de comida pelos donos do garimpo? A cada dia chegam notícias de toda forma de abusos contra os Yanomami. As imagens espalhadas no mundo das redes sociais e nas TVs são uma vergonha para nosso país e fazem o nosso coração sentir o sofrimento e a morte que os Yanomami e a natureza estão vivendo. Outra forma de violência não menos cruel, consiste na distribuição de armas e bebidas que provocam conflitos entre eles. Colocar irmãos contra irmãos é atualizar o pecado de Caim e Abel. Denunciamos a omissão e a responsabilidade do Governo Federal, que ao invés de cumprir seu papel constitucional na defesa dos povos indígenas e de suas terras, patrimônio da União, incentiva as invasões e coloca na pauta do Congresso Nacional o projeto de lei, que legaliza a mineração em terras indígenas. Tal proposta não passa de uma ilusão enganadora de supostos benefícios. Sofrem os povos indígenas, a natureza, os ribeirinhos e as cidades com os rios e os peixes envenenados pelo mercúrio, e sofrem também as pessoas iludidas que buscam no garimpo um modo de escapar das duras condições de vida no Brasil, mas encontram servidão, violência, drogas e morte. Deus nos livre dessa maldição! Convidamos os cristãos e todos os irmãos e as irmãs de boa vontade, à luz da Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, a vitória da vida sobre a morte: - a se unirem na defesa e na garantia da vida e do território do povo Yanomami, estabelecidos na Constituição Federal; - a promover a Justiça e não compactuar com o projeto de morte que autoriza a mineração nas terras indígenas; - a assumir o compromisso de defesa e do cuidado para com a Casa Comum, pois já sentimos os efeitos devastadores do garimpo, com o envenenamento de nossos rios Mucajaí, Uraricoera... que já nos atingem. Dom Aldo Mongiano, dizia na década de 1980 - 1990: “o bem de alguns não pode causar a morte de outros” e escrevia em nome de todos os cristãos: “é um privilégio ter os Yanomami na sociedade de Roraima.” Assim, irmãos e irmãs, que Deus nos socorra nesta hora de construção da paz, do bem viver e da esperança da terra sem males que vem a cada manhã! Dom Mário Antonio da Silva Bispo de Roraima

Seminário "Brasil: 200 anos de (In)dependência. Para quem?

Seminário "Brasil: 200 anos de (In)dependência. Para quem?

Em preparação ao 28º Grito dos Excluídos e Excluídas, representantes das entidades que integram a Coordenação Nacional participaram de um seminário virtual, no dia 10 de março, para refletir sobre o lema deste ano. O encontro contou com a assessoria de Sandra Quintela, articuladora nacional da Rede Jubileu Sul Brasil, que falou sobre Dívidas históricas e sociais e as dependências do Estado a serviço do capital; Ronilson Costa da CPT Nacional com o tema O Latifúndio e a escravidão nestes 200 anos de (in)dependência, para quem? e com a Cacica Juliana Alves Irê, do Povo Jenipapo Kanindé, Ceará que discorreu sobre os 522 anos de extermínio, exploração, resistência e lutas dos povos indígenas. Acesse as exposições e o debate https://www.youtube.com/watch?v=dCZG2SkT5AY A) Introdução – os equívocos contados na história (10 min) Resp. Ana Valim e Roberval B) Toró de percepção sobre a (in)dependência, os 200 anos, sobre soberania, sobre alternativas, autonomias, dependência, a história, colonialismo, escravidão, extermínio,.... C) Abordagens sobre alguns dos aspectos sobre os 200 anos de (in)dependência, para quem? - Musica: Canto Das Três Raças - Clara Nunes https://www.youtube.com/watch?v=ojyql_8FqfA D) Debate – perguntar, complementações,... E) Encerramento – vídeo/música – Guajanamera https://www.youtube.com/watch?v=blUSVALW_Z4&t=1s

Brasil: 200 anos de (In)dependência. Para quem?

Brasil: 200 anos de (In)dependência. Para quem?

Em transmissão ao vivo, a mobilização do Grito, no Dia D, 7 de abril, deu continuidade a uma série de encontros para aprofundar as inconsistências da independência do Brasil, que em setembro de 2022 comemora 200 anos. A roda de conversa do 28º Grito dos/as Excluídos/as contou com as participações de Sandra Quintela, educadora popular, economista e articuladora da Rede Jubileu Sul Brasil e de Adriano Gonzaga, afrobetizador, coordenador da UNEGRO e membro da coordenação do Grito dos/as Excluídos/as da Baixada Santista, em São Paulo. A mediação da conversa ficou por conta da secretária executiva da Rede Jubileu Sul Brasil, Rosilene Wansetto que também integra a coordenação do Grito. 📲 Saiba mais: https://bit.ly/3uWRZBP https://jubileusul.org.br/noticias/grito-dos-excluidos-e-excluidas-reflete-sobre-a-inconsistencia-da-independencia-do-brasil/

Dia D do Grito: confira as atividades:

Dia D do Grito: confira as atividades:

28º GRITO DOS EXCLUÍDOS E EXCLUIDAS 2022 Brasil: 200 anos de (in)dependência. Para quem? LIVE – DIA D DO GRITO 7 de Abril, às 19h30 (horário de Brasília) Tema: 200 anos de exploração, de violências, de lutas e esperanças em busca da INDEPENDÊNCIA. Compartilhe e participe! Transmissão pelas redes do Facebook e YouTube do Grito dos Excluídos/as e redes parceiras https://www.facebook.com/677934209007752/posts/2508688369265651/ https://www.youtube.com/watch?v=rR5HZ_JUkgU 07 de abril, 19 h (horário de Brasília) - "Dia Mundial da Saúde". Roda de Conversa sobre o desmonte das políticas públicas e os desafios da defesa do SUS e o atendimento à população, em especial, os mais vulneráveis, como os povos indígenas, a população em situação de rua. Como vai o atendimento à saúde pública em seu bairro? Facebook do Fórum de Direitos Humanos e da Terra. Acesse o link: https://www.facebook.com/866644533535112/posts/1781262655406624/ VIDA EM PRIMEIRO LUGAR! “Defender a vida, é uma missão...” Dia Mundial da Saúde em Recife! Grito da Saúde! 07/04, às 9:00 h, NA PRAÇA DO DERBY. O Brasil precisa do SUS AGENDA DA SEMANA! 07 de ABRIL, 09h, Grito da Saúde! NA PRAÇA DO DERBY Dia Mundial da Saúde em Recife com a luta pelo Piso Salarial Nacional da Enfermagem 07 de ABRIL, 17h Canais do YouTube https://youtube.com/c/TVAbrasco Lançamento da Conferência Nacional Livre, Democrática e Popular de Saúde O objetivo é chamar a atenção para a importância de uma saúde, gratuita e universal. A Frente pela Vida chama toda a sociedade brasileira para construir a Conferência Nacional Livre, Democrática e Popular de Saúde, marcada para o dia 5 de agosto de 2022. A atividade virtual será transmitida pelos canais do YouTube das entidades integrantes da Frente e demais canais de comunicação popular. Coordenação da Abrasco - Associação Brasileira de Saúde Coletiva www.frentepelavida.org.br 09 de ABRIL, 09h Parque 13 de Maio - ATO contra a fome, o desemprego e o preço da gasolina. * Frente Brasil Popular * Fora Bolsonaro * Povo Sem Medo * Povo na Rua Coordenação do Grito Recife Live Grito Regional NE 2 (PE, PB, RN, AL) - Campanha da Fraternidade 2022 - 07/04, 19h

1º Encontro Nacional de Articuladores/as do 28° Grito

1º Encontro Nacional de Articuladores/as do 28° Grito

Com a presença de mais de 60 articuladores e articuladores de todas as regiões do Brasil, no dia 02/04, via online, aconteceu o 1º Encontro Nacional de Articuladores e Articuladoras do 28º Grito 2022. Alfredo José Gonçalves, padre scalabriniano e vice-presidente do Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), uma das entidades que integram a Coordenação Nacional do Grito, falou sobre o Lema do 28º Grito: BRASIL: 200 anos de (in)dependência. Para quem? (Veja a íntegra da apresentação no final da matéria). Os participantes apresentaram a realidade local, com a agravamento da violência, dos despejos, das invasões aos territórios quilombolas e indígenas, do desmatamento, da exploração por parte de mineradoras e empresas de energia eólica, de assassinatos de lideranças, do crescimento da fome e desemprego, das tragédias "naturais" provocadas pelo descaso de políticos e empresários, entre outras mazelas. Como sinal de resistência e esperança, os/as articuladores/as trouxeram as iniciativas e ações que já estão sendo realizadas e programadas para 2022, na construção do 28º Grito, e que reúne os diversos movimentos e organizações locais. O Dia D do Grito de março foi marcado por ações presenciais e online em várias localidades, como em Manaus/AM, Cuiabá/MT, Rondonópolis/MS, Alto Tietê/SP, Baixada Santista/SP, NE 2 (Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas). Para o Dia D abril já estão programadas atividades Recife/PE, Mato Grosso, NE2. 200 anos de (in) dependência do Brasil Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs, vice-presidente do SPM São Paulo, 02 de abril de 2022 Neste bicentenário da independência do Brasil (1822 – 2022), nada melhor que conhecer os clássicos da historiografia científica, no sentido de entender os nós, entraves e impasses de nosso atraso e de um desenvolvimento bem aquém das potencialidades deste “gigante adormecido”. Por que um país tão rico quanto o Brasil tem abrigado uma população majoritariamente pobre, especialmente entre os indígenas, negros e trabalhadores/as em geral? Por que, após anos de abertura e experiência democrática, tornou-se possível a ascensão da extrema-direita, do autoritarismo e do negacionismo? Para responder a essas perguntas, não basta a matéria de história oficial ensinada nas salas de aula. Ao contrário, torna-se necessário percorrer as páginas de alguns cientistas sociais que se debruçaram sobre o passado de um país invadido e saqueado. Também não basta uma análise de conjuntura, temos de buscar elementos de nossa trajetória histórico-estrutural para entender o fio condutor que nos trouxe até a situação em que nos encontramos. Combinando os escritos do poeta e escritor uruguaio Eduardo Galeano com as obras do escritor guatemalteco Miguel Ángel Astúrias, vê-se que, na América Latina e Caribe, onde a terra foi mais rica e pujante, a população acabou permanecendo mais pobre e abandonada. Prova disso são, por exemplo, a região de Potosí, na Bolívia, onde a prata, após saqueada e convertida em moeda no velho continente europeu, deu origem a uma população hoje estagnada; o vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, Brasil, onde o diamante e as pérolas preciosas, após extraídos, deixaram a população abandonada ao próprio destino; a região de Manaus, Amazônia, onde a exuberância da floresta e da natureza levaram à superexploração da borracha e dos trabalhadores migrantes que vinham do Nordeste, os quais, após o declínio desse ciclo econômico, acabaram por converter-se nas populações ribeirinhas, lembradas praticamente apenas nos anos de eleição; as civilizações Inca, Maia e Asteca que, após conquistadas e destruídas, legaram um cenário que serve apenas para o turismo. Numa palavra, a riqueza do solo e/ou subsolo provocou a cobiça e a ambição dos invasores, junto com a miséria da população nativa. De forma paradoxal e em chave colonial, os tesouros da terra engendraram nossa pobreza histórica, como se fossemos “mendigos sentados em montanhas de ouro”, para citar o livro As veias abertas da América Latina. No Brasil as coisas não foram diferentes. Embora seja um dos maiores produtores de carne, de grãos, de minério, praticamente autônomo em petróleo, rico em água potável e com o grande patrimônio mundial da Amazônia – nada disso serviu para trazer um nível razoável de desenvolvimento à maioria dos cidadãos brasileiros. Por isso é que os gritos pela independência começaram bem antes de 1822, e se prolongam até os dias de hoje. Que o diga o quilombo dos Palmares e a figura de Zumbi, bem como a atual preocupação dos povos indígenas e das comunidades quilombolas com o avanço da mineração, incentivado justamente pelas autoridades que deveriam proteger suas áreas reservadas. As encruzilhadas históricas se repetem. Como no passado, atualmente estamos diante do populismo nacionalista, do autoritarismo, do corporativismo, do negacionismo – e de muitos outros “ismos” – que nos obrigam a uma permanente atualização das respostas. Não basta imitar os nossos heróis e ancestrais, é preciso recriar suas intuições para os desafios de cada momento. Imitar pode ser uma forma de trair, uma vez que a história sempre coloca perguntas novas que requem novas respostas. Hoje, como ontem, seguimos dependentes da política dos países centrais e das regras férreas, inflexíveis e inexoráveis do mercado globalizado. Semelhante situação nos convida a retomar e revisitar as chaves de leitura que herdamos de alguns clássicos que estudaram mais a fundo a nossa história. Em termos etnológicos, antropológicos, sociológicos, políticos e econômicos, certamente alguns deles foram superados pelas pesquisas mais recentes, mas suas metáforas ainda nos ajudam a decifrar os enigmas e fantasmas que dominam nosso passado. Ler e estudar a história pressupõem sempre uma fidelidade criativa. Fidelidade a determinadas vigas mestras que atravessam estruturalmente os séculos e, ao mesmo tempo, criatividade para atualizar e contextualizar tais ensinamentos. A dinâmica entre ruptura e continuidade marca o estudo da historiografia. O desafio está em discernir, em cada período, onde colocar o acento. De qualquer forma, os estudiosos que nos precederam trazem chaves de leitura que servem não apenas para ressignificar fatos históricos de relevância decisiva, mas também para entender os impasses e incertezas do presente, com seus contrastes, disparidades, injustiças e contradições. Chaves que, ao abrirem as portas do passado, descortinam janelas para os horizontes do futuro. Dimensão econômica Primeiramente, do ponto de vista econômico, os estudos de Caio Prado Junior, Celso Furtado, Florestan Fernandes, José de Souza Martins, Octavio Ianni, entre tantos outros, nos remetem ao célebre tripé na economia brasileira. Esta, desde seus primórdios, assenta-se sobre o latifúndio (com origem nas sesmarias), no trabalho escravo (exploração máxima da mão-de-obra) e o cultivo dos produtos de exportação (fornecedor de matérias primas). Baseada na grande propriedade de terra, na super-exploração do trabalho e no fornecimento de produtos básicos para os países ricos e centrais, nossa economia sempre esteve de braços abertos para a metrópole – seja ela Lisboa, Londres ou New York – e de costas para as necessidades fundamentais de seu próprio povo. Este, impotente diante dos impérios, vê o produto de seu trabalho escorregar por entre os dedos. No país com maior número de cabeças de gado do que cidadãos e cidadãs, qual a porcentagem de brasileiros que pode ter carne na mesa ao menos uma vez por semana?!... Até os dias de hoje, o tripé revela-se não apenas como uma chave de leitura, mas igualmente como uma metáfora viva e atual de nossa trajetória histórica. Não seria tão absurdo, por exemplo, falar não apenas dos latifúndios históricos do algodão, da cana-de-açúcar, do cacau, dos minérios e do café, mas também, atualmente, do latifúndio das comunicações, do agronegócio, da produção de carne, novamente dos minérios, das reservas de água doce ou da produção econômica em geral. A grande empresa prevalece sobre a pequena e média iniciativa, porque as opções do projeto político e econômico a favorecem. Da mesma forma que persiste o trabalho escravo, ao lado de outras formas análogas e precárias de trabalho. E persiste igualmente o afã insaciável das exportações, do fornecimento de “commodities” ou produtos in natura para o mercado mundial, ficando em segundo plano a consolidação do mercado interno. Contradição das contradições, a população paga mais caro justamente por aquilo que produz em maior quantidade. Dimensão política Em segundo lugar, do ponto de vista político, a obra de Raymundo Faoro não nos permite esquecer que Os donos do poder continuam aferrados com unhas e dentes aos benesses e das classes dominantes. As obras de Florestan Fernandes e de Darcy Ribeiro, por sua vez, também ajudam a ampliar esse cenário. Herdado da Península Ibérica, e encontrando solo fértil em terras de Santa Cruz, o conceito de patrimonialismo explica a apropriação privada da res publica, apropriação que inclui o erário, os privilégios, o tráfico de influência e a projeção pessoal. Tem sido comum na história brasileira administrar os problemas do estado como se fossem negócios familiares. Essa prática abre brechas para uma crescente promiscuidade entre o público e o privado, a ponto de qualquer obra realizada com o orçamento público ser inaugurada e recebida como se fosse um benefício de Fulano, Beltrano ou Sicrano de Tal, em geral candidatos às próximas eleições, mas sem qualquer compromisso com as próximas gerações. Não é à toa que grande parte das obras levam o nome e uma placa do administrador de plantão. Neste momento, não seria difícil fazer desfilar aqui os diversos estados da federação, com seus respectivos “donos”! Também neste caso, a noção de “donos do poder” aparece simultaneamente como chave de leitura e como metáfora do “jeito brasileiro de fazer política”. Jeito onde o “toma lá dá cá” é a regra e o motor que faz funcionar os poderes e repartições públicas, desde o Congresso Nacional até os postos de atendimento mais simples e inexpressivos. O “jeitinho brasileiro” tem aqui uma de suas faces mais perversas, que se traduz concretamente na política do coronelismo e no voto de cabresto, práticas que estão entre os maiores nós de uma verdadeira democracia. Decorre disso, por exemplo, a arrogância e o autoritarismo crônico das classes dominantes brasileiras, as quais se revelam, mais do que propriamente conservados (o que também o são), extremamente obtusas e retrógradas, na contramão dos avanços democráticos da modernidade, além de avessas aos a quaisquer mudanças e aos direitos humanos em geral. Dimensão sociocultural Por fim, do ponto de vista sociocultural, lancemos um rápido olhar sobre o estudo de Gilberto Freire: Casa Grande & Senzala para a realidade do campo e Sobrados e Mocambos para o mundo urbano. Também nos ajudam os conceitos cunhados por Roberto da Matta, Câmara Cascudo e Roger Bastide. No Brasil praticamente inexiste uma tradição de direitos adquiridos. A formação da sociedade brasileira desenvolve-se a partir de uma cultura de privilégios para a Casa Grande e favores para a Senzala. O grande problema é que os favores oscilam em quantidade e qualidade de acordo com o humor ou os lucros do senhor. Quando este está mal-humorado ou quando vão mal os negócios do açúcar, do café, do algodão, da soja ou do gado, os favores são substituídos pelo chicote, pela polícia ou pelo exército. Pior ainda, quando os moradores da senzala se organizam e pretendem transformar os favores em direitos sistematicamente adquiridos, o peso da repressão foi e continua sendo a resposta das classes dominantes. Os episódios de Canudos, Cabanas, Quebra-quilos, Contestado, Palmares, Eldorado dos Carajás e Felizburgo-MG, entre outros, revelam isso à saciedade. Genocídio, chacina ou massacre são conceitos que explicam o drama de pessoas e famílias sumária e brutalmente eliminadas pelo simples fato de reclamar pelo direito à vida. Mais uma vez, a chave de leitura transforma-se em metáfora das relações sociais mais profundas no Brasil. Do lado da Casa Grande, estão aqueles que, por direito, podem estudar e passar férias em Coimbra, Paris, Disneylândia ou Miami, pois dispõem de amplos recursos e possibilidades; do lado da Senzala, aqueles que, pelos lixões e ruas da cidade, disputam com os cães e abutres os restos de comida podre. De um lado, os senhores da terra, da renda, das riquezas e do poder; do outro, migrantes, sem terra, sem emprego e sem rumo! O esquema da Casa Grande & Senzala também se revela das profundadas desigualdades sociais que marcam o Brasil, nação que integra o BRICS (chamados países emergentes – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), mas que segue ostentando o título de uma das sociedades mais desiguais do planeta. A distância entre a base e o pico da pirâmide social é abissal e progressiva, tendo sido escancarada e agrava pela pandemia da Covid-19. Daí a coexistência ostensiva de mansões ao lado de favelas, de Iates e carros de luxo ao lado de transportes públicos precários e irregulares; de um sistema de educação privado para os filhos da classe dominante ao lado de outro para os filhos dos trabalhadores e trabalhadores (valendo o mesmo para a saúde, a segurança, o lazer, e assim por diante. “Ricos cada vez mais ricos às custas de pobres cada vez mais pobres”, como diria São João Paulo II, em sua viagem à Cidade do México. Conclusão Nesse processo de formação em suas três dimensões – econômica, política e sociocultural – não podemos esquecer as “dores de parto” que deram origem à nação brasileira. A expressão “dores de parto” evidentemente não é neutra. Nessa está subentendida a violência sofrida pelas mulheres indígenas e negras, como “matrizes” para o povoamento. Violência que, ao longo do tempo, irá acumular lições de resistência e enfrentamento ao regime colonial, mercantil e capitalista que desde cedo se impôs sobre as terras recém-invadidas. Tanto que, até os dias atuais, são as mulheres que muitas vezes carregam sobre os ombros a organização vital de movimentos, Comunidades Eclesiais de Base, Pastorais Sociais, organizações não governamentais, redes e campanhas de libertação, para não falar de tantas outras lutas ocultas e não raro desconhecidas e desconsideradas. Inegável que o cuidado com aquilo que hoje chamamos de bem viver passa pela presença feminina na busca de novas soluções diante da devastação e destruição do solo, da vida e das relações. O panorama apresentado aqui pelas/os representantes do Grito dos Excluídos e Excluídas ilustra essa presença feminina na resiliência e nas lutas sociais. Talvez venha daí o salto qualitativo para superar expectativas prontas e imediatas pela esperança. Enquanto aquelas se regem e se nutrem pelos estridentes apelos do mercado, esta última tem suas raízes no lento e laborioso processo de cuidado com a geração e a preservação da vida em todas as suas dimensões (biodiversidade). Por outro lado, são essas sementes espalhadas por todo território nacional que nos levam ao verbo esperançar, protagonista central deste e de tantos outros encontros. Se há certa razão em dizer que não é tempo de colheita, a semeadura segue com firmeza e teimosia. E isso fará germinar brotos vivos e vicejantes para as gerações que nos seguirão. O desafio está lançado. O bicentenário da independência constitui um marco, sem dúvida, mas, vale insistir, a luta começou muito antes de 1822 e segue sem tréguas. Quanta violência, massacres, feminicídios, miséria e fome teremos ainda de presenciar até que as coisas mudem! E quantos “governos da mudança” terão de ser eleitos! Felizmente, os trabalhadores e trabalhadoras não se deixam intimidar. Para além da retórica estéril do governo e da insensibilidade de alguns setores da sociedade, a marcha pelos direitos e a dignidade humana não se detém diante das cercas e das balas assassinas. No dizer do poeta, “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Como se pode verificar no cenário apresentado, as mobilizações do Grito dos Excluídos e Excluídas, multiplicadas por tantas lideranças presentes na tela de nossa reunião, constituem sinais claros de que os frutos da organização e da luta lentamente amadurecem em todos os estados da União. Para quem haverá de ser colheita? Talvez não para nós, mas não faltará quem se beneficie com os esforços de hoje. Gritos silenciosos e silenciados, gritos abafados e sufocados, mas também gritos conscientes de um patriotismo vivo e ativo, e que, por isso mesmo, ocupam as ruas e praças com a bandeira e as atividades da “vida em primeiro lugar”, em vista do Brasil que queremos.

MS: o grito das mulheres no Dia D

MS: o grito das mulheres no Dia D

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