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AVALANCHE DE EVENTOS E IMAGENS EXPRESSAM O GRITO DOS EXCLUÍDOS E EXCLUÍDAS 2023

8 de set. de 2023
5 min de leitura

O título nada tem de exagerado ou pretensioso. Basta passar os olhos pelas telas e telinhas das redes sociais ou pelas notícias dos meios de comunicação – em especial a mídia local – para dar-se conta dessa verdadeira avalanche. Nos últimos anos, aliás, o Grito dos Excluídos e Excluídas vem ampliando seu raio de ação. Se em suas primeiras edições a iniciativa estava mais concentrada nas capitais dos estados, atualmente ela atinge um número cada vez mais expressivo de cidades médias e mesmo pequenas.


Percorrendo semelhantes eventos, com suas respectivas imagens, cabem algumas observações para os debates e reflexões do chamado pós-Grito. Evitaremos citar exemplos para não correr o risco de sermos injustos com todas as pessoas que contribuíram para a construção desta iniciativa, hoje marca registrada da Semana da Pátria e do 7 de setembro.


1. Você tem fome e sede de quê?


Já sabemos que o tema se repete todos os anos: Vida em primeiro lugar! Entretanto, o lema deste ano, em sintonia com a Campanha da Fraternidade, ajudou a abrir um duplo leque de debates. De um lado, traz à tona a fome de pão de milhões de trabalhadores e trabalhadoras brasileiros. A renda não alcança para o arroz e o feijão, a cebola e o tomate, a fruta e os legumes, a batata e o ovo, o aluguel e o material escolar, a roupa e o calçado, os gastos com água, luz e gás!... Literalmente, em muitas casas e pelas ruas não há o que comer. Por outro lado, o lema faz emergir a sede de justiça de outros tantos trabalhadores e trabalhadoras, como também de milhares de agentes e lideranças dos movimentos e pastorais sociais, da academia e do sindicato, das entidades e organizações não governamentais, enfim, de todos, todas e todes que sonham, buscam e lutam por uma sociedade justa e solidária. As vozes se fizeram ouvir no grito uníssono. Infelizmente, as forças de repressão deram as caras em alguns eventos, mas não a ponto de impedir o direito de se manifestar.


2. Resgate do Dia Nacional da Independência


Depois do funesto furacão dos anos anteriores, quando o dia 7 de setembro, junto com as cores da bandeira nacional, foi confiscado e manipulado pelos golpistas, e transformado numa data de ódio e violência – voltamos a respirar com alívio. Passado o medo e o perigo, as pessoas puderam sair às ruas e praças para celebrar o Dia da Pátria através do binômio festa e luta. Festa, claro, porque o Brasil tem o que comemorar, seja no sentido de ter resgatado ordem democrática, seja na conquista e defesa dos direitos humanos, em particular dos pobres, excluídos e vulneráveis. Mas também luta, uma vez que não basta eleger nossos representantes e cruzar os braços. O ato de depositar o voto nas urnas é importante, mas insuficiente. Para mudanças estruturais, é preciso ocupar as ruas, praças e campos. Foi o que se viu neste 7 de setembro: os gestos e imagens se repetiram e se multiplicaram por todo país. Independência representa, antes de tudo, a liberdade de descer das arquibancadas, entrar em campo e se manifestar. Continua o empenho por “terra, teto e trabalho”, como portas que descortinam outras portas em vista de uma cidadania sem fronteiras.


3. Grito múltiplo, plural e colorido


De ponta a ponta do país as manifestações se fizeram presentes. No conjunto, pudemos notar uma mobilização múltipla, plural e colorida. Colorida, sem dúvida, porque as cores, da mesma forma que o céu, o ar, as notas musicais e as palavras, não têm dono. Jamais poderão ser apropriadas por grupos truculentos e minoritários. Pertencem a toda população. Vem à lembrança a universalidade do arco-íris e a canção Aquarela do Brasil. Também plural, pois não pode haver restrições ao saber ou saberes de pessoas e grupos. Direito de expressão, que não pode ser confundido com o direito de agressão. As diferenças, longe de nos empobrecer, sempre nos enriquecem. E ainda múltipla, na medida em que se fez sentir em todos os estados e em centenas de municípios, sem falar da grande caminhada, romaria e celebração de Aparecida/SP. Mas igualmente múltipla em sua linguagem: gestos, símbolos, marchas, atos públicos, teatro, poesia, música, dança, cartazes, faixas – tudo isso revestido pela palavra livre e aberta ao diálogo de escuta e troca de valores.


4. Consciência de um novo patriotismo


Outra observação é que o Grito dos Excluídos e Excluídas vem ocupando sempre mais todas as horas do dia 7 de setembro. Pela manhã e pela tarde, foi possível acompanhar os atos, eventos, celebrações, entre outras formas de mobilização. Por várias cidades, os migrantes haitianos e venezuelanos, como também de países vizinhos, se fizeram presentes. Em numerosos lugares, o Grito se deslocou até a periferia, os assentamentos e acampamentos, as regiões mais longínquas. Vale assinalar, ainda, a presença de bispos, padres, religiosos e religiosas – numa prova de que boa parte da Igreja comunga e defende a população carente e vulnerável. Embora em menor número, as autoridades marcaram presença em lugares onde é maior a sensibilidade com os excluídos. Não obstante o contingente de participantes tenha diminuído em algumas cidades, aumenta em contrapartida, como já vimos, o número de iniciativas e de manifestações. Não podemos deixar de sublinhar a criatividade de vários eventos, conferindo maior riqueza e participação à população como um todo.


5. Tragédias e esperanças


Convém concluir estas observações com um alerta para algumas tragédias, entre tantas outras, que mancharam negativamente a história recente do país. Em primeiro lugar, a morte por abandono e falta de alimento e atendimento médico do povo Yanomami, verdadeiro crime contra a humanidade. Depois. O aumento progressivo do povo em situação de rua – desempregados, subempregados e “descartáveis” – com destaque para a cracolândia, uma chaga aberta no coração da metrópole mais rica da nação. Vem em seguida a trajetória diária dos migrantes, das mulheres e crianças, uns sem perspectiva de encontrar o solo pátrio, outras com a violência a bater-lhes diariamente o calcanhar. Por fim, as inundações na região sul do país, que já contabilizam quatro dezenas de vítimas fatais e milhares de desabrigados. Catástrofe que vem se repetindo e que nada tem de natural. Hoje sabemos o quanto a devastação do meio ambiente, por parte da cobiça e ambição do lucro e do capital, pode levar a calamidades extremas de estiagens e tempestades. Gritos silenciosos, com imagens que clamam por mudanças urgentes e profundas no convívio do bem-viver com todas as formas de vida (biodiversidade) e no cuidado com “nossa casa comum”.


Felizmente, o clima, a atmosfera e as vibrações do 29º Grito foram revestidos de um novo respiro. Resta ainda um longo caminho a ser percorrido, mas já vislumbramos um novo olhar de atenção para com a população empobrecida. A esperança venceu novamente o medo e a ameaça de nazifascismo, negacionismo e autoritarismo, mas precisa vencer os entraves, impasses e os nós que, histórica e estruturalmente, se arrastam pela trajetória desta terra de Santa Cruz. A vitória só será possível quando os gritos ocultos, silenciados, invisíveis e abafados saírem do chão, levantarem a cabeça e formarem o grande Grito dos Excluídos e Excluídas, em vista de transformações estruturais de ordem socioeconômica e político-cultural.


Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs

São Paulo - SP, 08 de setembro de 2023

190 comentários


raju.vegiraju
há 3 dias

This is a powerful initiative highlighting the importance of social inclusion, equality, and giving a voice to marginalized communities. Events like these help raise awareness and encourage people to work towards a more compassionate and supportive society. Preserving cultural traditions and traditional craftsmanship is also an important part of celebrating diversity. Those interested in Indian heritage and handcrafted Brass Idol collections can explore Luxe Artisanship.

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Laura Smith
Laura Smith
28 de out.

People searching whether Yay Win been blocked in Pakistan should first confirm whether there is any reliable announcement about an access restriction. A page failing to load can result from ordinary technical issues, network problems, or changes to the website itself. My friend Usama once assumed a site had been blocked, only to discover the problem was temporary. It is better to compare the experience across different times and consult credible reports or official notices before concluding that a formal restriction has taken place.

Editado
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Bhartijiads7
16 de out.

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Lichi Shin
12 de out.

This is a very insightful article, especially in how it highlights the voices of those marginalized by society. I feel that the "egg car" represents creativity and innovative solutions. Do you think art can drive further social change?

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Jyoti Vats
29 de set.

This is a thought-provoking piece that highlights how art and powerful imagery can give visibility to people and experiences that are often overlooked. The way creative work can communicate emotion and social realities makes it especially meaningful. I also appreciate how traditional art and décor can express culture, such as a Brass Diya, which adds a meaningful touch to a space.

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