Brasil é o 7º país mais desigual do mundo, melhor apenas do que africanos

Beneficiária do Bolsa Família e desempregada, Elaine Maria recebe R$ 212 para sustentar a casa e os três filhos

Imagem: Carlos Madeiro/UOL

Ana Carla Bermúdez, Constança Rezende e Carlos Madeiro

Do UOL, em São Paulo e em Brasília, e colaboração para o UOL, em Maceió 09/12/2019 02h01

Elaine Maria, 28, é dona de casa e vive com os três filhos em uma pequena residência no sítio Cimapa, em Rio Largo, na Grande Maceió. Na casa, o esgoto é despejado a céu aberto.

 

Beneficiária do Bolsa Família  e desempregada,  ela recebe R$ 212 para  sustentar a casa. "Com esse dinheiro, só consigo comprar o que é básico", diz. Com o aumento do preço da carne, afirma, passou a fazer substituição do alimento por ovos, salame ou "o que for mais barato".

Quem a ajuda é sua avó Júlia Maria da Conceição,  86,  que  recebe  a aposentadoria de um salário mínimo. Entretanto, diz que não consegue bancar os remédios para diabetes e hipertensão, que custam em torno de R$ 200.

A desigualdade de renda no Brasil é um dos destaques de um relatório de desenvolvimento humano divulgado hoje pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

 

 

Segundo o estudo, o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo, ficando atrás apenas de nações do continente africano.

 

O levantamento tem como base o coeficiente Gini, que mede desigualdade e distribuição de renda. Segundo o Pnud, para esse indicador, zero representa igualdade absoluta e 100 representa desigualdade absoluta.

 

Os dados são de 2017 e, portanto, não dizem respeito à gestão de Jair Bolsonaro (sem partido), que assumiu a Presidência em 2019.

 

Em 2017, o índice do Brasil foi de 53,3. O mesmo valor foi registrado por Botsuana.

 

O país mais desigual do mundo é a África do Sul, que teve um índice Gini de 63. Lá, o apartheid, regime de segregação racial, vigorou por quase 50 anos.

 

Entre os países no topo do  ranking  da  desigualdade,  estão  Namíbia  (59,1), Zâmbia (57,1), República Centro-Africana (56,2), Lesoto (54,2) e Moçambique (54)

—todos países do continente africano.

 

Segundo o relatório, o Brasil é mais desigual do que países como o Paraguai (48,8) e a Nicarágua (46,2).

 

Na outra ponta, com um índice Gini de 25, a Ucrânia é o país com menor desigualdade entre sua população. Belarus e Eslovênia, ambos com índice Gini de 25,4, também se destacam pela igualdade na distribuição de renda.

Apesar de ocupar o posto de sétimo país mais desigual do mundo,  o Brasil tem  um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) considerado alto, de 0,761 (quanto mais próximo de 1, mais alto é o desenvolvimento humano).

 

 

Os 20 países mais desiguais do mundo

 

África do Sul - 63 Namíbia - 59,1

Zâmbia - 57,1

República Centro-Africana - 56,2 Lesoto - 54,2

Moçambique - 54

Brasil - 53,3

Botsuana - 53,3

Suazilândia - 51,5 Santa Lúcia - 51,2 Guiné Bissau - 50,7 Honduras - 50,5

Panamá - 49,9

Colômbia - 49,7

Congo - 48,9

Paraguai - 48,8 Costa Rica - 48,3 Guatemala - 48,3

Benin - 47,8                                                                                                                                                           

Cabo Verde - 47,2

Em concentração de renda, Brasil fica atrás apenas do Catar

 

O relatório do Pnud destaca, ainda, que apenas o Catar tem maior concentração de renda entre o 1% mais rico da população do que o Brasil.

 

"A parcela dos 10% mais ricos do Brasil concentram 41,9% da renda total do país,    e a parcela do 1% mais rico concentra 28,3% da renda", diz o texto. No Catar, a parcela do 1% mais rico concentra 29% da renda do país.

 

 

Ajuste às desigualdades sociais faz IDH cair 24,5%

 

Segundo o Pnud, o IDH mascara desigualdades. Por isso, eles criaram um índice que cruza dados de outras pesquisas para ajustar esse número. O Brasil é o país que mais perde posições no ranking quando o IDH é ajustado às desigualdades sociais.

 

O segundo país que mais perde posições é Camarões, que despenca 22 lugares quando feito o ajuste do IDH às desigualdades.

 


Betina Ferraz, chefe da unidade de desenvolvimento humano Pnud, demonstra preocupação com o alto índice de desigualdade verificado no Brasil. "O dado sobre desigualdade não piorou, nem melhorou, o que é muito ruim porque já é baixo que não tem como piorar. Temos várias 'noruegas' dentro do mesmo país, ilhas de prosperidades", disse a economista.

 

Em nota, a assessoria da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro afirmou que o atual governo vem realizando transformações em todas as áreas apontadas no relatório e que o IDH divulgado hoje, que se refere ao ano de 2018, é "reflexo direto das políticas equivocadas que por décadas foram praticadas no Brasil".

FONTE: https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2019/12/09/brasil-e-o-7-mais-desigual-do-mundo-melhor-apenas-do-que-africanos.htm

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